domingo, 7 de junho de 2015

07.06.2015 Manequim

No meio de bagunças, de pó e do improvável, entre roupas para doação, peças de decoração e acessórios de teatro, eu achei um casal de manequins perdidos, quase soterrados por roupas, e nus. A mulher, que virou a musa da foto de hoje, estava caída de cara no chão. Eu a levantei e tirei uma foto, nem sabia direito o porquê. E no fim ela virou a foto do dia. Eu sempre gostei de esculturas e manequins. Ver humanos inanimado. A falta de expressão no rosto é uma das coisas que mais me chama a atenção. Manequins sempre me remetem ao filme argentino Medianeras, no começo diz que a vitrine "é como um lugar perdido que não está nem dentro nem fora. Um espaço abstrato e mágico". E ainda nesse filme, tem uma parte que Mariana, uma arquiteta que trabalha como vitrinista, se vê no reflexo dentro de uma vitrine, e se compara a um manequim: "Imóvel, silenciosa e fria". E é irônico que justo hoje pela manhã me senti exatamente assim. Como se um vidro me separasse do mundo real, todos passam apressados e eu fico ali parada, presa sem vida, na maior parte das vezes despercebida e vendo tudo passar diante de mim. Por mais que eu lute para tornar as coisas diferentes, tem dias que são assim: eu viro manequim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário