Sei que isso não é uma foto decente rsrs outro "print", mas dessa vez por mais horrenda que a foto tenha ficado fiz questão. Estava vendo um documentário sobre restauração de quadros, no caso de uma das obras de Leonardo da Vinci, "Virgem com o menino Jesus e Santa Anna". Achei bem impressionante cada etapa é tudo minuciosamente pensado e houve até polêmica sobre os riscos que poderiam causar ao quadro e também houve a insatisfação daqueles que queriam que a restauração fosse mais a fundo. O caso é que camadas e mais camadas de verniz que são colocadas na superfície para conservar a pintura na verdade acabaram por a deteriorar. O verniz envelhecido escondia os traços, deixando detalhes desfocados, as cores com menos vida e comprometendo a pintura de modo geral. Alguns retoques foram necessários, alguns trechos tiveram de ser repintados e levou cerca de três anos pra restauração ser concluída. Eu amei ver os detalhes sendo literalmente cavados no quadro, a restauradora trazendo de volta a vida aquilo que o tempo estava escondendo. E claro não posso deixar de filosofar pensando nisso.
Quantas e quantas vezes no intuito de preservar-nos também passamos uma camada de verniz esperando que isso nos proteja e que mantenha viva a nossa imagem [pra uns: as aparências]. Porém isso apenas retarda os efeitos, ou talvez até venha a acelerar, mas o caso é que: o tempo não perdoa. Chega um momento em que é preciso se recuperar o brilho original. Fazer uma manutenção, arrancar a velha camada e expor toda a vulnerabilidade, cavar pra voltar a ver os traços escondidos. Não mudar a identidade da obra, mas reabilitá-la.
De alguma forma escrevendo aqui isso me faz lembrar o livro do Oscar Wilde, cuja pintura de Dorian Gray envelhecia, enquanto ele permanecia jovem. Com o passar do tempo ele ficou tão perturbado ao olhar as mudanças no seu retrato que escondeu a pintura para que ninguém, nem ele mesmo, tivesse que ver aquela imagem em estado deplorável. Mesmo fora de vista isso não impedia o quadro de continuar a se deteriorar, ocultar não diminuía os danos, apenas dava uma falsa impressão de "controle".
Foi pensando nisso que acabei me convencendo que por pior que a imagem em si da "foto de hoje" seja, o significado faz valer a pena. [prometo que saio essa semana pra fotografar algo decente]
Quantas e quantas vezes no intuito de preservar-nos também passamos uma camada de verniz esperando que isso nos proteja e que mantenha viva a nossa imagem [pra uns: as aparências]. Porém isso apenas retarda os efeitos, ou talvez até venha a acelerar, mas o caso é que: o tempo não perdoa. Chega um momento em que é preciso se recuperar o brilho original. Fazer uma manutenção, arrancar a velha camada e expor toda a vulnerabilidade, cavar pra voltar a ver os traços escondidos. Não mudar a identidade da obra, mas reabilitá-la.
De alguma forma escrevendo aqui isso me faz lembrar o livro do Oscar Wilde, cuja pintura de Dorian Gray envelhecia, enquanto ele permanecia jovem. Com o passar do tempo ele ficou tão perturbado ao olhar as mudanças no seu retrato que escondeu a pintura para que ninguém, nem ele mesmo, tivesse que ver aquela imagem em estado deplorável. Mesmo fora de vista isso não impedia o quadro de continuar a se deteriorar, ocultar não diminuía os danos, apenas dava uma falsa impressão de "controle".
Foi pensando nisso que acabei me convencendo que por pior que a imagem em si da "foto de hoje" seja, o significado faz valer a pena. [prometo que saio essa semana pra fotografar algo decente]
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