Por uma brincadeira acabei ganhando um livro da minha mãe no dia das crianças. O caso é que recebi um livro que eu já tinha, o "Cartas extraviadas" da Martha Medeiros. Achei o gesto bonito, mas expliquei que o melhor destino era eu usar o livro repetido pra presentear alguém que não o tivesse lido. Mas ainda não tinha surgido um possível dono, e não queria trocá-lo no sebo... lembro que foi um livro marcante pra mim, mas lembrava apenas da sensação que me causou, não me recordava assim de nenhuma citação específica. Foi ai que hoje ao olhar o livro recorri ao meu já lido pra ver as marcações que eu já tinha feito e ver o que havia me impactado. De repente quando me dei conta estava relendo o livro inteiro. E pra minha surpresa, muita coisa que eu não tinha grifado mexeu comigo e eu me questionava: "como deixei isso passar batido?", e ai sai fazendo novas marcações. Algumas vezes foi mais engraçado ainda, diante de palavras que expunham tudo o que sinto mas não sei traduzir pegava a caneta para marcar e ao olhar o cantinho da página já havia sido marcado rsrs ou seja: aquilo que tinha me marcado continuou a fazer sentido, talvez não da mesma forma, mas ainda é uma verdade sobre mim. Eu comecei a fazer essas marcações nos cantinhos da páginas quando não era suficiente grifar frases, mas que todo o contexto tinha me impactado. E agora nessa releitura (depois da foto ai) o livro ganhou novos cantinhos de página pintados... mais algumas leituras e logo não sobrará uma única página sem grifar. O termo releitura é legal pois é o jeito que definem uma obra de arte refeita a partir da interpretação de outro artista. Acho que chamar de releitura o ato de reler um mesmo livro também reflete isso. Eu estou pintando uma nova imagem de mim mesma a partir do que aquele livro significa/significou.
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