Yeah! Finalmente chegou meu coturno/rain boot da farm que comprei no site da Dafiti, (não sei se mencionei aqui, mas eu trabalho separando os produtos da Dafiti)... me lembro do dia que vi essas botinhas quando estava separando um pedido. A caixa de nuvenzinhas me chamou a atenção, depois abri e ao lado estava meu namorado, que na época era só colega de trabalho e eu disse: "Quem compra isso? Que coisa mais brega" fiz uma careta ele riu e depois eu guardei e falei constrangida: "Pior que eu amei" ai rimos mais e ele disse que combinava comigo. Depois de um tempo vi que tava em promoção e comprei. As botinhas de plástico que remetem muito ao visual de quem trabalha com esgoto/limpeza e afins me conquistaram, sempre quis ter galochas, e essas em modelo de coturno eram lindas. São transparentes e ai fica perfeito pra alguém como eu que adora usar meias coloridas ou de bichinhos, se tornando super versátil. Não foi amor a primeira vista, mas as amo demais. Hoje era dia de fazer um programinha a dois e eis que as botinhas ai foram as escolhidas pra compor o visual. Mas parece que imprevistos são nossa marca registrada. Sempre algo dá errado, sempre rola um desencontro. E meu celular escolheu a pior hora pra querer entrar em coma. E o transporte público mais uma vez ferrou com a gente e assim, entre o atraso e os ingressos na mão, fui ver o filme sozinha. Não sabia o que tinha acontecido, mas estava de boa e resolvi aproveitar o dia como dava. Parece que ver filmes sozinha de segunda feira é mesmo uma coisa que me persegue rsrs E vi os 33 que conta a história dos mineiros chilenos que ficaram soterrados. Eu adorei, o filme é simples mas achei legal poder conhecer melhor a história. Eu lembro que quando isso aconteceu eu acompanhei pela tv, me emocionei com a saída de cada um deles, principalmente do Mário gritando "chi chi chi le le le" e o povo a volta vibrando junto rsrsrs foi bem legal. Saí do cinema e o transporte público mais uma vez em sua ineficiência já dava vestígios de que eu chegaria atrasada no trabalho. Mas foi bom, pude conhecer duas pessoas com histórias interessantes enquanto esperava. Após comprar uma flor artesanal feita de palha de uma suposta "argentina", duas pessoas puxaram assunto. A primeira a falar foi uma mulher que estava ao meu lado que ficou espantada quando viu a mesma moça comendo comida do lixo. O outro era um homem lá pelas casa dos 40 que disse já ter morado na rua, e não viu a cena com o mesmo olhar de nojo, mas com olhar de pena. Pela simplicidade e o jeito doloroso como descreveu o episódio me pareceu ser verdade. Contou que após o divórcio a ex-esposa ficou com a maior parte de seus bens, e com a saúde prejudicada devido ao último emprego ele foi perdendo tudo até chegar na sarjeta. Mas abriu um sorriso quando contou que agora ao menos enquanto não tem condições de ter um emprego igual o de antes dedica seu tempo aos estudos. Voltou a estudar pra terminar o colegial, faz curso técnico e pretende ingressar numa faculdade. Estuda gratuitamente, mas dá pra ver no modo como se orgulha de buscar conhecimento de que ele vai longe. Achei a história linda! Até comentei que se de repente ele e a esposa não tivessem tido esse atrito talvez ele se manteria acomodado e não veria a necessidade de voltar a estudar e não descobriria o quanto isso é importante, pagou um preso alto para chegar aonde estava, mas num ponto de vista otimista eu quis mostrar que nem tudo estava perdido. Ele concordou e mais... mesmo tendo passado por maus bocados ele disse que hoje ainda nas dificuldades ele consegue ser mais feliz e realizado do que quando tinha tudo. A vida nos tira algumas coisas pra que a gente aprenda a conquistar outras. Comparei a história dele com a de Jó da bíblia e a mulher ao lado concordou. Depois foi a vez dela se manifestar... cansada por trabalhar demais lamentava sua falta de animo pra voltar aos estudos, queria deixar de ser faxineira, mas sendo mãe de dois filhos, sustentando a casa e pagando aluguel sozinha disse não ser tão fácil. A partir daí se abriu e contou que assim como o sujeito ela e o ex-marido também passaram por uma separação bruta. Segundo ela ele a maltratava caçoando da aparência dela sempre vinha com ofensas e se gabando de que sem ele ela não seria nada. Pois em determinado momento ela se cansou, resgatou o pouco de coragem e auto estima que tinha e abriu mão dele, saiu de casa com os dois filhos e foi a luta. Hoje sustenta os dois sozinhos, paga aluguel, mora numa cidade distante e descobriu que apesar das dificuldades ela é muito mais feliz agora. Achei ambos os relatos incríveis. Duas pessoas extremamente batalhadoras, cada um a seu modo, mas dois vitoriosos. Em comum ambos tiveram cônjuges que poderia ter destruído a vida deles. Que lhes arrancaram a esperança, os diminuíram. Mas os dois usaram disso para se reerguer e recomeçaram sendo que o que tinham perdido na verdade acabou sendo lucro. Que a consequência da separação os uniu ao amor próprio. Deixaram de depender de alguém ou de algo, para criarem seu próprio rumo e nessa estrada se viram mais realizados do que antes. A vida tem mesmo boas surpresas para aqueles que com todos os motivos pra desistir teimam em continuar. Quanto a mulher também em sua simplicidade dava pra ver que sustentava ainda assim um certo orgulho de não ter aceitado as palavras daquele homem que não soube valorizar o que tinha. Acho realmente lamentável que homens ainda se sintam no direito de oprimir suas esposas desta maneira tão cruel as diminuindo, mulher nenhuma merece tal coisa, aliás nenhuma pessoa nem homens... ninguém merece ter de conviver com alguém que o/a ofenda. Todos merecem amor, e se não há mais isso que cheguem a um fim de forma coerente. O caso do homem também é extremamente triste. A mulher interesseira sabendo de sua saúde debilitada não pensou duas vezes antes de tirar-lhe tudo quanto podia o deixando numa situação complicada logo quando ele mais precisava de apoio. É chocante o egoísmo e a maldade que há em certas pessoas. Mas já dentro do ônibus a caminho do trabalho passei a me questionar... será que a esposa que tomou tudo do sujeito e o esposo da mulher batalhadora estão tão bem quanto os dois que tiveram de recomeçar? Podem estar financeiramente mais estáveis, mas duvido muito que dentro deles estejam tão preenchidos quanto os dois que conheci. Eles descobriram em si uma força da qual não tinham conhecimento até chegarem no fundo do poço, não é algo que outra pessoa lhes possa tomar. É como falei nessas histórias quem parece ter saindo perdendo foi quem saiu ganhando. Depois cheguei ao trabalho... e ri do quão louco é o destino que trata de complicar as coisas sempre estragando os planos a dois. Felizmente ambos sabemos a esta altura que a culpa não é nossa, que deve haver sim uma conspiração, mas é aquilo que as dificuldades acabam nos unindo mais.
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