| A foto não tem ligação alguma com o texto bati essa foto enquanto caminhava após a chuva. |
Eu já li dois livros do escritor afegão Khaled Hosseini e no livro "A cidade do Sol" passei a entender melhor os costumes daquele povo, a loucura que é viver com os talibãs e suas restrições, as mulheres são as que mais sofrem, mas naquela região todos de alguma forma são afetados. Acabei achando interessante, não por causa dessa parte violenta, triste e cruel, mas pelo lado belo que ainda cabe nas histórias. No livro sobre Malala de tanto que foi descrita acabei indo pesquisar sobre a região Swat do Paquistão. E fiquei absolutamente besta diante de um lugar tão lindo! Gostei do que vi de Swat, aquele lugar merece estar em seu melhor, ter paz, e não ser terreno de destruição, um dia espero poder ir ver aquele lugar com meus próprios olhos. Essa foi uma leitura daquelas enriquecedoras. Malala por pouco não foi morta por causa de uma coisa: Queria estudar. E lutou por esse direito. Atiraram nela impiedosamente mas felizmente essa guerreira sobreviveu e não se calou, passou a ser ativista social e foi a pessoa mais nova indicada ao premio Nobel da paz. Toda pessoa merece o direito de estudar, só que infelizmente no Paquistão e no Afeganistão não é fácil, é quase impossível. Enquanto aqui negligenciamos nosso direito e vemos isso como fardo. Dá até vergonha de ver o quanto desvalorizamos as coisas. Aliás dá vergonha também ao ver que pessoas como Malala e personagens das histórias de Khaled por mais difícil que fosse sua condição jamais deixaram de amar seu país e cultura. Por isso tratam de manter o orgulho bem vivo, não deixando que o cenário desfavorável junto aos rebeldes difamem seu país e roubem deles o amor que sentem pela sua história. Bem diferente da realidade que vivemos aqui, onde estamos acostumados a desistir das coisas quando parece difícil e difamamos tudo a nossa volta pelo menor motivo, sabemos apontar as falhas e desdenhando as qualidades.
| Aqui dá pra ter uma noção melhor sobre os véus |
Uma coisa que também acho curioso e bacana são os idiomas Pachto e o Urdu. Parecem ser extremamente complexos, acho a escrita de ambos fascinante. Tem muita coisa daquela região que despertou minha atenção com apenas três livros.
Por lá algumas coisas são sagradas e tradicionais, como as vestimentas das mulheres que tanto causam polêmicas. Sim o uso da Burqa é algo que deveria ser abolido, mas o uso do véu é tolerável, já que cobrir os cabelos faz parte da religião. Diria que esse costume em partes equivale as mulheres crentes daqui que usam saias longas e cabelão. Eu particularmente acho alguns véus lindos o Hijab e o Shayla que são os mais fáceis de usar. Mas é impressionante, embora usem o véu o olhar dessas mulheres é tão marcante que mesmo sem exibir as madeixas elas são lindas. Falando nisso... o nome de Malala foi inspirado no de Malalai de Maiwand considerada a Joana D'arc do Afeganistão. Malalai de Maiwand foi uma moça com cerca de 17 anos prestes a casar que se juntou a seu pai e noivo na guerra de 1880 contra os anglo-indianos que tentavam dominar o lugar. Malalai foi ajudar como enfermeira, e quando seu povo estava em desvantagem e já desanimado, ela tomou o lugar de um dos portas bandeiras que foi morto, correu no campo de batalha tirou o véu que cobria seus cabelos e o usou como bandeira, chamando a atenção de todos quando cantou: "Jovem amor! Se você não perecer na batalha de Maiwand, então, por Deus, alguém o está poupando como sinal de vergonha!"
"Com a gota do sangue de meu namorado
derramada para defender minha pátria mãe
Desenharei um pontinho vermelho sobre a testa
e será tão belo
Que fará inveja às rosas do jardim".
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