Como diria Paulo Leminski:
Acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido.
Acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido.
Gosto desse poema, e hoje ele caí perfeitamente bem. E já que falamos em bemol... As vezes quando fico sozinha me dá vontade de tirar a poeira do violão. O violão velhinho ai foi presente do meu falecido avô, Alaor, pro meu irmão, Rafael, um canhoto que na verdade queria aprender contrabaixo e nem chegou a aprender nenhum instrumento. Fazendo com o que o violão vivesse as escondidas por vários anos. Eu, uma legítima curiosa numa das vezes que fuçava as coisas do meu irmão encontrei ele, e fiz o violão sair literalmente do armário [por isso eu costumava dizer que era um violão gay]. Mas só consegui "a guarda" definitiva quando minha vizinha e eu decidimos aprender. Graças a Camila eu fiz umas aulinhas e aprendi as notinhas básicas e dava para fazer algum barulho. Não cheguei a aprender o quanto deveria, e sai da aula por conta da mudança de horários na escola. Mas ainda assim o violão gay as vezes é meu companheiro. Que preciso de um novo não há dúvidas, creio que tocaria e me empenharia mais com algo de mais qualidade em mãos, mas gosto da origem desse violão estropiado. Meu avô infelizmente faleceu antes que eu viesse a aprender, mas certamente ia ficar feliz em saber que não gastou o dinheiro em vão. Hoje em dia sempre que vou fazer barulho to inventando alguma coisa, faço meus próprios acordes e as vezes invento umas musiquinhas que nem chego a escrever, algo do momento só pra me distrair mesmo. De uns tempos pra cá enfiei na cabeça que quero aprender a tocar bossa nova, blues e dedilhados mais elaborados. Acho mais desafiador e harmonioso, embora até pegar o jeito leva tempo. Uma das minha maiores alegrias foi ter de alguma forma colaborado para que minha prima aprendesse. Lembro que a primeira música que ela tocou foi Iron Man do Black Sabbath, nesse mesmo violão ai, ensinei só o solinho da introdução que era fácil, eu apertava sem dó os dedinhos dela nas cordas, ela muito reclamou, mas valeu a pena. A carinha de realização dela quando conseguiu sozinha não tem preço. Adorei ter participado disso. Depois ensinei também Smoke on the Water do Deep Purple e ela logo foi pegando o jeito. Hoje já com seu segundo violão a danada é que me ensina, aprendeu várias coisas e toca bem, pelo visto vai levar isso pra vida toda. Tá se superando e é bonito de ver o empenho dela.
Posso ficar meses sem tocar no violão, mas acabo indo matar as saudades alguma hora. Meu professor vivia dizendo que se encontrasse com a gente por ai a primeira coisa que faria era tocar na ponta dos nossos dedos pra sentir os calos e saber se estávamos tocando. Por essas e outras penso que meu dedos precisam voltar a sofrer um pouco.
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