sexta-feira, 20 de março de 2015

19.03.2015 Vivendo entre parênteses

Estou tomada pela angustia, nenhum dia foi tão difícil escrever aqui como hoje. Seja pelo estado da minha avó, que no momento passa por uma cirurgia séria, seja por outras coisas que sinto que perdi. O meu remédio para dias assim é buscar refúgio dentro de algum livro, mas as vezes o que me espera são doses de algumas verdades tão doloridas que esse tal remédio me faz lembrar o famoso merthiolate de anos atrás. Não bastasse ter sofrido algum corte ou se machucado, o remédio ardia tanto que era sinônimo de tortura, desinfeccionar doía mais que o próprio ferimento. Acho que algumas coisas são assim mesmo, precisam arder enquanto são tratadas, vivemos anestesiados em demasia, ou buscamos meios alternativos para desviar o foco da dor, tudo em vão, como diz John Green "o problema da dor é que ela precisa ser sentida".

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Pensei que nada do que eu lesse hoje ia me fazer me sentir melhor, mas não pensei que poderia me fazer ficar ainda pior. -Efeito Merthiolate.
Peguei um livro da Martha Medeiros pra folhear e caí numa cronica da qual tinha gostado muito quando li a primeira vez, que chama: Uma mulher entre parênteses. Lembro do efeito que me causou na primeira vez que li, é um texto que me marcou e senti vergonha por me identificar de novo, não estou só dentro de parênteses, talvez dentro de chaves e colchetes também. Dei uma olhada em mais algumas páginas e achei respostas que eu nem sabia que estava procurando.
Preciso ligar o foda-se para mim mesma. Não eram os problemas externos ou a situação desfavorável que vinham me transtornando. É que eu carecia de motivos e quando surgiram me agarrei a eles, e não notei de onde tudo começava. Sempre falo sobre liberdade mas nunca consegui fugir das minhas próprias imposições. "Você não pode fazer isso", "você não é boa o suficiente", e olha que acreditava ser uma pessoa positiva, e de fato sou em vários aspectos, mas certamente não estava sendo comigo mesma, não no meu intimo. E não tinha consciência disso, não no nível que precisava ter. Criei certos conceitos que andei levando como regras e verdades absolutas, que mais pareciam pesos presos aos meus pés. Arrastava eles comigo fadada a aceitar que minha "condição" não mudaria, que eu tinha de aprender a conviver com isso. Auto-sabotagem substituiu a auto-piedade. Odiava tanto o papel de vitima que acabei incorporando a vilã, me acusando de não sair do lugar, mas não me dando a chance de correr livremente. Percebo hoje que não sou dona de mim mesma. Não sei de nada na verdade, só acreditei nas coisas por não ter conseguido fazer diferente, mas isso não quer dizer que eu nunca vá conseguir. Sei que demorei demais para aprender isso, me sinto ridícula, aquele tipo de coisa que todo mundo diz e que você nunca vê.

  "Vai mesmo achar um jeito de se sentir mal por si mesma? Mesmo tendo motivos reais e mais significantes pra sofrer?" Foi o que me veio a cabeça quando notei meus olhos marejados ao ser confrontada nas frases grifadas do livro. Parecia egoísmo querer me importar com meus draminhas diante do turbilhão de coisas que tá acontecendo. Mas foi algo necessário e não existe hora certa ou errada para recomeçar. Estou recomeçando mesmo sem estar no meu melhor, mas ainda assim consigo ver que esse pequeno passo é o suficiente para ir mais longe.
Tirei essa foto com a máquina Diana mini,
por tanto é uma foto da foto. O lugar  onde estavam essas
palavras foi destruído, mas o significado delas, parece que
foi descoberto somente hoje.

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