sexta-feira, 27 de março de 2015

26.03.2015 Arquivo Morto

Eis a caixa onde eu guardo algumas cartas que recebi ao longo da vida. A maioria são de crianças com quem cresci, brincávamos de trocar cartas como se fosse um amigo secreto. E não sei ao certo porque, mas sempre guardei. Hoje não passa de um arquivo morto. Muitos dos remetentes ai já se tornaram desconhecidos a esta altura. A nostalgia tem esse lado meio irreal, das verdades não absolutas. São palavras fora do prazo de validade, o tempo vai apagando o sentimento do que foi escrito. Gosto as vezes de relembrar certas caligrafias, pois é um fragmento que me sobrou da pessoa. Amo em especial os desenhos meio tortos, as letras ainda inseguras da criançada que trocava cartas lá na antiga rua de casa, ou das minhas primas e amigas da escola. Não tinham frases de efeito, simples, de uma ternura que ainda me comove. Sinto falta de algumas pessoas, sinto falta do que elas eram. Também sinto falta da Aline que eu era. Pois hoje em dia é tão estranho ver as pessoas, as donas dessas caligrafias, e não ter mais nada em comum a não ser uma parte do passado.
Mas algumas cartas são atemporais. Sentimentos que não se extraviaram. E ai já não é mais só um pedaço de papel num arquivo morto, é algo que se manteve vivo.

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