quarta-feira, 27 de maio de 2015

27.05.2015 Aqueles que se vão e aquilo que fica.


Não gosto de velório, mas amo cemitérios. Gosto do silêncio, da tranquilidade, só é triste lembrar que ali também é um jardim regado a lágrimas. Hoje fui para dar um abraço numa amiga que perdeu seu pai. Pensei em fazer o post colocando minhas memórias sobre ele, mas prefiro mudar um pouco o rumo. As vezes fico meio sismada de citar nomes no blog, sei lá porque não acho isso muito direito, mas hoje vou arriscar. Marisa, essa amiga que perdeu o pai, é simplesmente a primeira amiga que tive. Desde de bebês até a fase "adulta" crescemos juntas. Minha casa era à frente da dela, do outro lado da rua. Ela foi durante muitos anos a minha principal companhia pra diversas coisas, uma das melhores pessoas para se conversar e rir. Embora crescemos juntas nunca tivemos muito em comum, não éramos amigas de trocar confidencias e nada disso chegou a atrapalhar o convívio. Nos afastamos pelos rumos que as coisas tomaram, mas jamais deixei de ter uma consideração enorme tanto por ela quanto pela mãe dela, que tem nome de flor e é uma pessoa maravilhosa. O jeito da Marisa é algo que sempre admirei, meio doida, sempre sincera, alto astral, forte e descontraída. Eu já tive raiva dela, ela que sabia de cor meus defeitos e os jogava na minha cara sempre que eu ficava fora de mim, fazia isso pra se divertir porque sabia que isso me deixava ainda mais irritada, e eu por mais que me esforçasse jamais consegui a tirar do sério com a mesma facilidade. Ela não sabe e eu era teimosa demais pra admitir, mas aquilo me ajudava, ela era dura mesmo que falasse rindo e eu acabava tendo de reconhecer minhas falhas vendo o quanto eu era patética. E ai a raiva que sentia dela eu passava a sentir por mim, porque ela sempre estava certa e eu era uma grande idiota. Através disso comecei a ver que tinha que aprender a ser contrariada sem perder a calma, pra não fazer papel de idiota mais uma vez. De menina arteira à adolescente que dava trabalho ela hoje se mostra uma adulta que surpreendeu a muitos, cumpre o seu papel de esposa e mãe com sucesso, virou uma mulher incrível. As vezes tento imaginar como seria a minha vida se algumas pessoas não tivessem feito parte da minha história. E Marisa sem dúvidas foi alguém de extrema importância, tanto que não consigo me ver crescendo sem ter ela por perto. As brincadeiras, piadas, conversas e tudo que vivenciamos é sempre pouco para definir essa amizade. Ela aguentou as várias Aline's que já fui ao longo do tempo, e me conhece bem o bastante pra saber que mesmo mudando sou a mesma "Lica" de sempre. E foi a festa de aniversário dela, que graças ao pai dela, foi a melhor festa de aniversário que já fui na vida, um evento épico e isso é algo que jamais vão superar. Faz pouco mais de um ano que já não somos mais vizinhas. E do que mais sinto falta é dessa ligação com vizinhos que mais pareciam fazer parte da família. Sinto falta de ouvir as risadas dos filhos dela logo de manhã, das histórias da mãe dela, e claro da companhia da Marisa que sempre tem um jeito de transformar as coisas em risadas. Até mesmo num velório. Sei que nos últimos anos em que eu ainda morava por lá já não conversávamos tanto, ocupadas cada uma cuidando das suas tarefas, mas ainda assim sabíamos que se precisasse era só atravessar a rua e chamar. Me senti envergonhada de sentir tanto a falta dela e ainda assim não ir fazer uma visita. Nesse sentido o evento de hoje teve algo de bom, que foi me mostrar a importância de fazer parte da vida de alguém, continuar criando laços, estar presente e não só se conformar com lembranças. Que nem só de histórias do passado viva essa amizade, por isso desejo que muitas risadas nos aguardem.

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