
Eu nunca gostei de aquários, mas faz anos que em casa convivo com essas criaturinhas. Esses ai são de água doce. O que eu acho divertido é como eles gostam de se exibir sempre que notam ter a atenção de alguém. Claro que fazem isso talvez para tentar ganhar algum petisco, mas nem por isso deixa de ser engraçado. Decidi que hoje a foto seria deles. Não estava em condições de elaborar uma foto pois ainda estava chocada com as maravilhosas imagens que vi no filme "O sal da terra" o documentário que mostra a trajetória de Sebastião Salgado com suas fotografias ao redor do mundo. Comecei a assistir o filme uns dias atrás, mas tive de interromper. Hoje retomei e me emocionei, que história incrível, que talento impressionante. A mensagem transmitida... tudo ali é bem composto. Impossível não ser impactado com as imagens que Sebastião captou. O poder critico de uma fotografia. A profundidade de um olhar. Desde que vi uma reportagem sobre o filme eu fiquei curiosa pra conferir e a espera valeu a pena. Não só pelas fotografias, mas pelo significado que elas carregavam, as condições em que foram registradas, e a preocupação do fotografo em trazer uma outra realidade a tona. Me apaixonei por esse trabalho. A parte mais critica sobre as condições desumanas de vida na África são perturbadoras. Achei que a partir dali o filme seguiria até um desfecho ressaltando o lado mais cruel da vida. Porém o filme termina focando na esperança. E Sebastião passa ali algo do qual sempre acreditei ser uma das soluções para que o mundo se torne um lugar melhor: O contato com a natureza. O trabalho de reflorestamento que foi feito em ES me emocionou. É tão precioso se recuperar a vida de um lugar, trazer de volta a natureza das coisas, e estar ali em meio a esse desenvolvimento, acompanhando o processo e ver os frutos. Isso é algo que enche meu coração. Sinto que precisamos disso, dessa proximidade, desse entendimento e respeito, lembrar da origem da vida e assim aprender o que realmente importa. A natureza vista não só como um recurso a ser explorado, mas como uma parte de nós. Creio que boa parte da culpa do homem se deixar ser escravizado pelo próprio ego é ter perdido a sensibilidade de ver que a vida é mais que dinheiro, beleza, poder.

E sinto que essa sensibilidade que foi perdida se encontra nas coisas mais primitivas das quais já não damos importância. Como se fossemos adolescentes rebeldes e mal agradecidos que repudiam todo o esforço dos pais, ingratos, como se nunca fizessem o bastante. É isso que vejo em relação a mãe natureza. Somos filhos desnaturados no sentido mais profundo da palavra. É vergonhoso. Não sabemos nem mesmo ver nossa espécie como uma família. Criamos hierarquias, castas, cargos, preconceitos que se sobrepõe ao fato de sermos todos humanos, iguais. A empatia está sendo extinta assim como tantas árvores e animais por ai... tudo sendo destruído em prol de um "benefício" desproporcional. Vejo que a natureza proporciona a conscientização do lado mais puro, da essência da vida, que tem a capacidade de nos transformar. Temos dentro de nós a força para amar e destruir. A maioria das vezes por
amor nos tornamos dispostos a
destruir o que for preciso para alcançar um objetivo. E a partir daí deixamos de questionar os meios que usamos para suprir nossa vontade. E de tanto olhar mais longe ficamos cegos. De sorte que alguns de nós sabem olhar as coisas de perto e dedicam a vida para abrir os olhos das pessoas. Sebastião é alguém assim, seu olhar e o obturador da câmera conseguem nos fazer ver aquilo que muitas vezes esquecemos, aquilo que realmente importa, a essência da vida, mesmo que de maneira bruta, de forma triste, ou de forma branda e delicada, nos coloca de volta em contato com aquilo que perdemos, através do trabalho dele, da arte. Um outro meio que também nos conecta a essência da vida, que nos desperta, que nos convida a ver o mundo de outra maneira.
Achei que essa citação bíblica encaixa bem:
"Vocês são o sal da terra. Mas, se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus".
Mateus 5:13-16
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