sexta-feira, 29 de maio de 2015

29.05.2015 Liba


  

Mais um dia de rolê. E o destino foi São Paulo. Desta vez a parada foi no bairro da Liberdade. A ida foi bem tranquila, mesmo estando acompanhada, foi possível ter meu tempinho de leitura no vagão. A "liba" é um lugar mágico. Me lembro da minha decepção na primeira vez que pisei ali, esperava algo super elaborado e a realidade era outra. Fui até alertada na época: "leve a câmera se quiser, mas não vai ter muito do que tirar foto". E pior que naquele dia não tirei fotos de lá mesmo. Em compensação acabei comprando várias porcarias e isso sim não deixou nada a desejar, a variedade de coisas legais me fez torrar uma bela quantia e ainda consegui sair de lá passando vontade. Algo que gostei desde a primeira vez foi ver uma cultura que lutou para ser conservada e que ganhou seu espaço. Gosto muito de como os orientais tem esse cuidado de manter as tradições. Hoje fui lá matar a saudade, desta vez encarregada de apresentar o bairro. Claro que o primeiro destino após sair da estação foi Sogo Plaza: o paraíso das tranqueiras kawaiis. A missão era comprar uma típica sombrinha japonesa, pra repor a sombrinha da minha mãe que quebrou. Achei logo de cara o que queria e ai passei a interpretar o papel de guia turística e fui mostrando as lojinhas. Bem tentador pois nessa acabei vendo tanta coisa interessante que eu nem sabia que queria rsrs tentei ser breve para não acabar me deixando seduzir por tantas coisas legais. Guiar alguém exigente não é fácil. Mas foi bom ter companhia e rir um pouco. Vi tanta coisa pra tirar foto, que eu não acreditava como eu não tinha fotografado nada da primeira vez. Os graffitis, o "Torii" (portal da liberdade) e os tradicionais postes estilo oriental que cobrem as ruas com sua cor vermelha, artes de rua e coisas sem nexo que me chamavam atenção, a arquitetura das igrejas!... mas o mais louco foi recordar o quanto isso passou batido na visita anterior, quando tive a oportunidade de registrar tanta coisa e desperdicei o tempo com compras sem dar a devida atenção a nada ao meu redor. E hoje de repente tudo me parecia tão "fotografável".
Catedral Metropolitana de São Paulo
Infelizmente ai pesou o fato de não estar sozinha. Nem todo mundo entende essa necessidade de querer tirar fotos, portanto não tem a noção de que enquadrar/compôr uma imagem pode não ser tão fácil/rápido (e eu que sou ruim preciso de vários disparos até ficar do gosto) daí que nesse processo surge a impaciência. Tentei colaborar. Levei em consideração que não era mesmo justo, eu estava ali pra mostrar o lugar e não pra o descobrir. Resultado: racionamento de fotos. Menos de dez cliques no total, felizmente alguns deles foram certeiros. Não tiro fotos com o objetivo e urgência de atualizar redes sociais. É algo importante pra mim, tento captar não só a imagem, por isso sou um tanto exigente. De modo geral foi válido abrir mão de algumas coisas em prol do papel de guia turística, e até que foi divertido, geralmente estou no papel inverso. Por fim aprendi algumas coisas com o dia de hoje: Racionar o número de fotos me obriga a ser mais precisa, embora ainda falho nisso, sei que serve de treinamento pra melhorar no futuro. Ser pontual é uma qualidade injusta. Andando de metro você descobre o quanto uma pessoa pode ser fresca. Ler em meios de transporte faz o tempo parar e passar mais rápido ao mesmo tempo. O joelho travado me fez vivenciar o que o Saci passa ao descer/subir escadas. Ser educada com estranhos causa espanto, o que me faz reforçar a ideia de que boa parte das pessoas criaram imunidade a gentileza. Não presto como guia turística. Superar a desnecessária empolgação exagerada e meu estado de boba alegre, num ambiente em que se é convidativo ter tal atitude, me permitiu parecer gente. Estar num mesmo lugar com uma mentalidade diferente faz o lugar parecer outro. Rolês com potencial fotográfico: antes só do que bem ou mal acompanhada. 

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