Passei um tempinho me dedicando a uma missão especial: escrever cartas. E não era uma carta qualquer, é pra nada mais nada menos que pra uma guria que por muito tempo vi como a irmã caçula que nunca tive, mesmo que não tivéssemos nenhuma ligação de sangue e nem mesmo muito em comum, mas algo havia de sobra, uma ligação que é difícil explicar. Na rua onde passei a infância brincávamos de escrever cartas uns aos outros, "amigo carta", era uma forma legal de podermos dizer tudo aquilo que pessoalmente as vezes não conseguíamos. Ela ainda pequena me mandava desenhos, e as minhas palavras quem lia era a mãe dela. A brincadeira durou tempo o bastante pra que ela conseguisse fazer as coisas sozinha, suas as primeiras frases vieram, e por mais simples que fossem eram cheias de carinho. Bons tempos. Infelizmente perdemos o contato quando ela voltou pra Sergipe. Foram anos assim, longe e morrendo de saudades, sem notícias. A comunicação virtual a qual recorremos recentemente não supria muito bem e nem mesmo diminuía as saudades, até que decidimos que seria uma boa ideia voltar a escrever cartas. Como nos velhos tempos. Mas não foi uma tarefa tão simples quanto era antes, a distancia e o tempo nos tornou de certa forma estranhas uma pra outra, temos um passado em comum, mas isso não basta, por meio das cartas espero que agora possamos nos conhecer em nossa versão atual, e que ainda possamos ver traços que nos faça reconhecer o que nos ligava tanto. É muito gostoso retomar contato dessa forma. Eu me senti estranha escrevendo, não sei como vai ser, depois de tantos anos, mas a experiência foi boa, espero que isso realmente volte a nos unir.
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