domingo, 25 de outubro de 2015

25.10.2015 - Livrai-nos do mal (ou de nós mesmos)

Vi essa cena inusitada quando voltava pra casa. A tarde tinha ido jogar um game na casa de um amigo que foi intitulado irmão caçula postiço. Foi legal, mas a volta pra casa foi meio tensa, por conta da demora dos ônibus. Em frente a minha casa há um canteiro e foi nele que vi essa cena inusitada, com a fusão de duas coisas que amo: cactos e besouro. O que achei ao mesmo tempo engraçado e perturbador foi ver o Besouro preso entre os espinhos do cactos. Não sei o que o motivou a subir ali, mas ele estava em apuros. Depois de registrar a cena (foto em péssima qualidade tava a noite e eu sem saco de configurar a câmera decentemente) acabei ajudando o besouro e o tirando dessa enrascada. Acho interessante ressaltar que esse cactos ai é o mesmo que deu origem aos cactos que resgatei da rua, Domênico e Durvalino, que eram pedaços de um cactos grande que fora destruído. Mas cactos é uma coisa de louco e o danado deu um jeito de rebrotar no canteiro. Não sei o que encorajou o besouro de subir logo num cactos, mas penso que não somos muito diferente dele. Quantas e quantas vezes não nos desdobramos a fim de alcançar um topo, ou de se aventurar em algo que só nos fere, que é de difícil acesso e ainda assim teimamos de nos arriscar mesmo sem ter algum retorno. É um tipo de orgulho/objetivo masoquista, nos desafiamos a coisas onde nossa coragem só ressalta nossas fraquezas. É ingenuidade atribuir essa decisão apenas a curiosidade, é uma ambição sem nexo, como se as coisas não fossem difíceis o suficiente optamos por obstáculos desnecessários, e ficamos presos neles, machucados não pela superfície tortuosa, mas pela nossa própria teimosia.    

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