Hoje foi aniversário de uma amiga de infância, com quem estudei na pré escola e com quem fui crescendo, tivemos momentos onde nos afastamos, mas a amizade sempre deu um jeito de nos ligar, e hoje fui passar a noite na casa dela. O histórico das nossas conversas em geral é sobre as dificuldades que enfrentamos e sobre nossa vida amorosa desastrosa. E ainda assim sempre achamos meios de rir mesmo tocando em assuntos delicados. E falando em delicadeza eis que a foto de hoje é de uma boneca de porcelana que achei quase que escondida num canto do quarto dela. E tal boneca me despertou atenção, especialmente por ter olhos castanhos e cabelo escuro. Olhando pra tudo o que conversamos e pra nossas vidas vejo que estamos sim, a nosso jeito e a nosso tempo, superando nossas fraquezas. Já não somos como esta boneca de porcelana, que da delicadeza vem sua beleza, mas por conta dela também se precisa de cuidados especiais, que a restringe a um canto onde por vezes fica esquecida, é apenas um enfeite. Isolada fica protegida de qualquer descuido no manuseio que poderia despedaçá-la, mas isso também a impossibilita de ser tocada. Segura mas longe de alcance. E nós antes tão próximas a essa realidade já não nos identificamos com isso. Não somos mais ocas por dentro. Hoje temos o que nos preencha. Ganhamos vida. Não ficamos presas num canto longe de alcance. Nos permitimos. Achei surpreendente ver o quanto esta minha amiga que tem toda uma história de vida difícil e que está passando por momentos complicados conseguiu extrair forças para conseguir conduzir as coisas com certa maestria, me surpreendi com a maturidade para assumir riscos, da entrega, da luta que pra muitos é perdida mas de onde ela tira seu prêmio a seu modo. Virou dona de si mesma mesmo sem perceber. Ainda tem suas dificuldades, mas agora são outras, ela superou muita coisa em todo esse processo, e não pude deixar de me inspirar nela. Eu que era tida como a "conselheira", pois sempre fui mais ouvinte e de dizer em poucas palavras meu parecer e sugestões, vi que tinha mais a aprender do que a aconselhar. Enquanto ela descrevia as mais diversas situações, esperando que eu a compreendesse eu ia aprendendo com ela, ela estava me aconselhando sem nem mesmo ter chegado a ouvir minhas angustias e eu fui encontrando respostas de perguntas que eu nem sabia que deveria fazer a mim mesma. As semelhanças de nossas histórias nos fizeram chegar as mesmas conclusões e podemos ver juntas com muita mais clareza. Foi bastante enriquecedor. Quem acabou saindo de lá presenteada fui eu.
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