Eu em busca de ser uma pessoa mais controlada abri mão de muita coisa. Acabei por reprimir minhas emoções, já que estas me tiravam a razão e ao conseguir tal proeza pensei que tinha aprendido a me dominar, mas lá estava eu sendo dominada pela ilusão, de que guardando as coisas ruins pra mim evitava ser afetada por elas. MENTIRA! E mentira das mais perigosas diga-se de passagem! Que sim busquei uma mudança, que realmente meu comportamento sofreu adaptações: verdade, não foi bem um aprimoramento, já que ao invés de uma transformação mais parece que fiz uma transfusão... troquei o sangue quente por sangue de barata e no fim saí no prejuízo da mesma forma. Adquiri uma passividade e submissão que eu via como "auto controle". Consciente de minhas fraquezas barrei os canais até elas, mas a preço de ir me soterrando em prol disso. Acho que fui radical demais, forçando a barra, deixando de ser eu mesma nessa busca de ser alguém melhor e fui sabotando meus defeitos, iludida de assim alcançar certas qualidades. Passei a engolir sapos ao invés de cuspir fogo. Buscava o equilíbrio mas o que fiz foi pender o peso da balança pro outro lado. Credo odeio o papel que encorporei. A pessoa me julgou como um ratinho assustado e eu fiquei louca (por dentro, pq por fora sorri e parecia não me importar), sempre foi da minha natureza ser explosiva e agora se não explodia pra fora ia me implodindo internamente, ou seja, sempre algo se destruía se não através da raiva era vinda da suposta tranquilidade. Me recusar a admitir ou demonstrar quando algo me afeta, por julgar que é algo pequeno, que nem merece importância, me forçava a aceitar sem reagir, deixava passar, me conformava, afinal é ridículo aceitar que algo assim "pequeno" me atingisse, eis que a negação veio daí. De tanto relevar, fui levada pra longe de mim. Sim deixei de encanar com certas coisas, mas não dá pra eliminar tudo. Quis dar passos maiores do que minhas pernas permitem e decidida a passar por cima das situações eu me desequilibrei e acabei sendo engolida por essa bola de neve. Sim meus defeitos merecem ser trabalhados, mas nem por isso reprimidos, afinal fazem (eu querendo ou não) parte de mim. Cuidando pra não ferir o sentimento alheio passei a não me importar em ferir meu orgulho e me submeter a situações que mesmo contrárias a minha vontade eu acatava por parecer "um bem maior" sacrificando meus reais instintos ou interesses pra não gerar mau estar. O tal ser gentil ao invés de ter razão. A questão é que confundi gentil com idiota. O pior era me orgulhar dessa mudança de comportamento, sem ver que na prática algo estava errado. Ninguém tem a mesma preocupação em se conter, eu peguei o fardo todo, meu e dos outros e queria dar conta, optei por ser injustiçada, quando deixei que se aproveitassem da minha generosidade. O que ganhava com isso? Deveria ser a paz, por ser tão desencanada, bem resolvida: "zen" e não ser afetada por coisas banais. Mas não... o resultado mesmo é a agustia, de sofrer calada, de me sacrificar e me decepcionar, exigi muito de mim sem poder contar com a compreensão, optei por fazer isso e ao fingir ser natural, ninguém acaba sabendo o quanto tenho aturado, das dificuldades que isso representa, não posso cobrar recompensa, não posso exigir consideração pois é algo que eu mesma me impus e que se eu me calo não é tarefa de ninguém adivinhar. Eu sei o caminho que quero seguir, mas vivo apelando pros atalhos. São longas jornadas até se conseguir ser o que se espera, mas sou impaciente demais e por isso pego esses atalhos que mais me fazem ficar perdida do que chegar a algum lugar. Essa doçura que adquiri ao tentar amenizar a amargura é mesmo alucinógena, acho que surtei sem me dar conta. O veneno em doses certas podem significar a cura.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
29.10.2015 - Doçura alucinógena
Eu em busca de ser uma pessoa mais controlada abri mão de muita coisa. Acabei por reprimir minhas emoções, já que estas me tiravam a razão e ao conseguir tal proeza pensei que tinha aprendido a me dominar, mas lá estava eu sendo dominada pela ilusão, de que guardando as coisas ruins pra mim evitava ser afetada por elas. MENTIRA! E mentira das mais perigosas diga-se de passagem! Que sim busquei uma mudança, que realmente meu comportamento sofreu adaptações: verdade, não foi bem um aprimoramento, já que ao invés de uma transformação mais parece que fiz uma transfusão... troquei o sangue quente por sangue de barata e no fim saí no prejuízo da mesma forma. Adquiri uma passividade e submissão que eu via como "auto controle". Consciente de minhas fraquezas barrei os canais até elas, mas a preço de ir me soterrando em prol disso. Acho que fui radical demais, forçando a barra, deixando de ser eu mesma nessa busca de ser alguém melhor e fui sabotando meus defeitos, iludida de assim alcançar certas qualidades. Passei a engolir sapos ao invés de cuspir fogo. Buscava o equilíbrio mas o que fiz foi pender o peso da balança pro outro lado. Credo odeio o papel que encorporei. A pessoa me julgou como um ratinho assustado e eu fiquei louca (por dentro, pq por fora sorri e parecia não me importar), sempre foi da minha natureza ser explosiva e agora se não explodia pra fora ia me implodindo internamente, ou seja, sempre algo se destruía se não através da raiva era vinda da suposta tranquilidade. Me recusar a admitir ou demonstrar quando algo me afeta, por julgar que é algo pequeno, que nem merece importância, me forçava a aceitar sem reagir, deixava passar, me conformava, afinal é ridículo aceitar que algo assim "pequeno" me atingisse, eis que a negação veio daí. De tanto relevar, fui levada pra longe de mim. Sim deixei de encanar com certas coisas, mas não dá pra eliminar tudo. Quis dar passos maiores do que minhas pernas permitem e decidida a passar por cima das situações eu me desequilibrei e acabei sendo engolida por essa bola de neve. Sim meus defeitos merecem ser trabalhados, mas nem por isso reprimidos, afinal fazem (eu querendo ou não) parte de mim. Cuidando pra não ferir o sentimento alheio passei a não me importar em ferir meu orgulho e me submeter a situações que mesmo contrárias a minha vontade eu acatava por parecer "um bem maior" sacrificando meus reais instintos ou interesses pra não gerar mau estar. O tal ser gentil ao invés de ter razão. A questão é que confundi gentil com idiota. O pior era me orgulhar dessa mudança de comportamento, sem ver que na prática algo estava errado. Ninguém tem a mesma preocupação em se conter, eu peguei o fardo todo, meu e dos outros e queria dar conta, optei por ser injustiçada, quando deixei que se aproveitassem da minha generosidade. O que ganhava com isso? Deveria ser a paz, por ser tão desencanada, bem resolvida: "zen" e não ser afetada por coisas banais. Mas não... o resultado mesmo é a agustia, de sofrer calada, de me sacrificar e me decepcionar, exigi muito de mim sem poder contar com a compreensão, optei por fazer isso e ao fingir ser natural, ninguém acaba sabendo o quanto tenho aturado, das dificuldades que isso representa, não posso cobrar recompensa, não posso exigir consideração pois é algo que eu mesma me impus e que se eu me calo não é tarefa de ninguém adivinhar. Eu sei o caminho que quero seguir, mas vivo apelando pros atalhos. São longas jornadas até se conseguir ser o que se espera, mas sou impaciente demais e por isso pego esses atalhos que mais me fazem ficar perdida do que chegar a algum lugar. Essa doçura que adquiri ao tentar amenizar a amargura é mesmo alucinógena, acho que surtei sem me dar conta. O veneno em doses certas podem significar a cura.
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