Voltando pra casa pela manhã me deparei com esta gaiola velha jogada num terreno. O que me chamou a atenção foi que as grades foram abertas, mesmo havendo uma portinha, que ironicamente estava fechada. Fiquei intrigada com o fato da pontinha estar fechada, talvez o pássaro que vivia ali fosse grande demais pra passar pela abertura da porta e ai fez-se necessário arrombar as grades, ou tiveram de arrancar as grades pra auxiliar o pássaro assutado ou desatento a sair, não sei ao certo. Mas claro isso me chamou a atenção. Acho que essa gaiola me fez olhar pra mim mesma. As vezes sou mesmo um pássaro que precisa de alguém que arranque as grades, que me ajude a ser livre. Isso soa até contraditório... uma liberdade dependente, mas acostumado a gaiola o pássaro nem mesmo tem noção do que é estar preso, acha que só aquele espaço lhe é suficiente, seguro. Desconhece o motivo de ter asas. Então é preciso que alguém de fora intervenha para libertá-lo. Muitas vezes a porta da gaiola até está aberta, mas não entendemos que precisamos passar por ali pra desbravar o mundo, muitas vezes nem a notamos. Ai é preciso que as grades sejam arrancadas pra percebermos que há muito a ser descoberto. Alguém que quer te oferecer o mundo e nós as vezes não oferecemos confiança, ingratos. Eu realmente não pude deixar de me identificar com a tal gaiola. É o que tem ocorrido comigo. Tão certa de que estava me libertando de minhas travas eu estava era me engaiolando de novo numa ilusão de segurança de "estou bem", presa em ideologias e me limitando por não ver que havia muito mais, todo um mundo que poderia ser visto sem a interferência das grandes. Quantas e quantas vezes não olhei pras situações e vendo que as portas estavam fechadas acostumei-me a ficar ali, enjaulada seja pelas dificuldades, ilusões, ou pontos de vista controversos. Outros porém não tem a mesma paciência, não esperam que as portas se abram... arrancam as grades, sabendo que a liberdade assusta mas também conforta. Por essas e outras hoje eu vejo que por mais que eu busque entender eu não sei nada da vida. Achei que me conhecia, achei que sabia das coisas ai aparece alguém que me arranca das grades e me faz ver as coisas de uma forma nova, eu me achava madura, mas não sabia se quer passar pela porta muito menos voar pra longe. Alguém teve de me arrancar da gaiola, quase que a força, pra que eu enfim tomasse rumo. Do tipo "sai daí e agora se vira". Cruel mas necessário. Isso pros orgulhosos poderia ser motivo de vergonha... mas não acho que a liberdade tenha de vir através exclusivamente da independência... deve vir principalmente da humildade, de admitir que algumas coisas estão mesmo fora do nosso alcance e um empurrãozinho pode ser o impulso que faltava... e nem por isso a liberdade é diminuída. Nos tiram das grades, nos oferecem o mundo, nos jogam pra cima, mas o bater das asas sempre irá depender de nós.
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